terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Que nos atirem os primeiros livros


Sim, falamos do fim do ano, que já passou. O que nos resta agora são as expectativas, e enquanto, elas embrionariamente se conjugam com nosso idílico desejo de mudança, falemos, para início de conversa e de sonho, de literatura. Sabemos que não somos um país de leitores e que, embora existam vendas, feiras, promessas e mandingas tutelares e estatais para "fazer" novos leitores, digo, leitor não se faz nem se cria. Leitor ama, incondicional e doidamente ler, nem que seja jornal antigo, bula de remédio, mini-conto e outros apanágios mais requisitados, e se refaz a cada tentativa. Óbvio que estão nos livros o santo graal e a fortuna (entendam destino, haja vista a condição de nosso país, ainda coelheano feticihista em princípio e esnobismo). O fato é que, por uma má índole e má-fé das escolas, em conluio, com um péssimo hábito impositivo dos professores, a literatura é inventada como algo desprazeroso, entediante e soberbo. Para não dizer pernóstico. É certo que temos grandes nomes da literatura romântica e realista, essas as verdadeiras assombrações dos estudantes, que têm que ler, revisar resumos, comprar estudos didáticos e usurpar provas sobre os magnânimos textos sagrados numa atitude apócrifa, mas realista e necessária. Falo isso, pois somos sabedores o quão é terrível para alguém que não traz a arte ou a literatura do berço, começar a se inventar nessa vida teimando com um cabedal de textos de nossos ilustres (mas chatos!) autores românticos, é um exercício sofista e hercúleo, apenas para ser justo. A Moreninha, O Seminarista, Dom Casmurro, Inocência, O Guarani, dentre outros, são livros enfadonhos. Apesar da prosa vanguardista de Machado e da cena trágica do final do livro de Guimarães. Citei tais livros e tais "escolas" literárias, porque assim costuma ser o hábito das escolas, empurrar esses livros a propósito de amor à literatura. Ótimo, e onde ficam os textos mais lidos e mais interessantes de Machado, como os Contos Fluminenses, Histórias Avulsas? E a prosa dos pós-modernos, ou contemporâneos? Sabemos do profissional tarefeiro e cumpridor de regras de nossos docentes, cumpridor de uma leva de burlescas ações e estratégias curriculares, ainda assim, cabe-nos reivindicar algo maior e melhor para o que queremos fazer de nosso país; e a arte merece ser "inventada", "vivida", para além das ONGs, artesãos e bem-intencionados de plantão, com suas tutelas e cosmética da fome e redemocratização da cultura, em outros sentidos, de outros modos. Aqui, à guisa de reminiscência e de incentivo dado a mim, nos áureos (ou plúmbicos?) tempos de ginásio, seguem algumas capas de obras dignas de uma literatura ágil, engajada, versátil, moderna, para assim lançar mão dos termos dos críticos contemporâneos e seus sectários. A coleção Para gostar de ler e seu tom de nostalgia para qualquer um que dela fez uso, fará ou ainda faz. E boa leitura. Traças para que te quero.

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